Centro e trinta e um delegados da PF assinam notícia crime contra Moraes

Cento e trinta e um delegadosdenunciam togado por abuso de autoridade e pedem a anulação da investigação inconstitucional contra empresários

 

Um grupo de 131  delegados da Polícia Federal (PF) protocolou uma notícia crime junto ao Ministério Público Federal (MPF) contra o integrante do do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e contra o delegado Fábio Alvarez Shor, da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal (PF).

Os delegados pedem a instauração de inquérito policial contra ambos para apurar por crimes de abuso de autoridade na operação contra oito empresários apoiadores do Presidente da República, Jair Bolsonaro, pelo crime de confessarem, em conversas privadas de WhatsApp, que preferiam um golpe de Estado a um novo governo do ex-presidiário descondenado Lula da Silva.

Entre os abusos de autoridade listados na notícia crime assinada pelos 131 delegados estão a quebra de sigilo telemático (Internet e de telefonia), bancário, o bloqueio de contas bancárias e de perfis nas redes sociais. Os delegados da Polícia Federal também pedem a anulação da investigação contra os empresários.

De acordo com a notícia-crime, endereçada ao PGR, Augusto Aras, são “inacreditáveis as fundamentações dos argumentos consignados pelo ministro Alexandre de Moraes para enquadrar os oito empresários como sendo líderes de organização criminosa”.

“ – Inaceitável o argumento, quando é sabido que tentar contra o Estado Democrático de Direito pressupõe violência ou grave ameaça, como prevê o artigo 359-M do Código Penal. Ora, inexistiu a violência! Quanto à grave ameaça, essa não saiu do campo da cogitação. Portanto, inexistente”, aponta a notícia-crime.

Os delegados ainda alegam que há “nítido caráter político-partidário” nas decisões de Alexandre de Moraes.

“ – Os requerentes, ainda, solicitam que essa Procuradoria-Geral da República adote as providências cabíveis, em face da possível suspeição do ministro Alexandre de Moraes para o exercício de suas funções na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por lhe faltar a imparcialidade necessária para o exercício das atribuições inerentes ao cargo”, reivindica a ação.

A notícia-crime reforça ainda o viés político da operação determinada por Moraes, iniciada a partir de provocações do comunista Randolfe Rodrigues:

“- Ocorre que parte das mencionadas medidas teriam sido solicitadas pelo senador da República Randolfe Rodrigues (Rede), coordenador da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, e outros representantes de um dos espectros do embate político nacional”.

Já sobre Shor, os delegados alegam que “é inadmissível desconhecer que os ‘investigados’ não possuem foro privilegiado”.