‘5G puro’ estreia no Brasil nesta quarta-feira

Estreia no Brasil nesta quarta-feira, dia 6 de junho, o sinal 5G puro (sem interferência de outras frequências). Começando por Brasília, a tecnologia 5G pura oferece velocidade média de 1 Gigabit (Gbps), dez vezes superior ao sinal 4G, com a possibilidade de chegar a até 20 Gbps na internet móvel. O sinal tem menor latência (atraso) na transmissão dos dados.

A entrada em funcionamento da nova tecnologia foi aprovada na última segunda-feira, dia 4, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Revolução Industrial 4.0 vs Revolução das Máquinas

Os entusiastas destacam que além de fomentar a chamada “internet das coisas” – a conexão direta de todo tipo de máquina e equipamento elétrico-eletrônico informatizado, por meio da rede mundial de computadores – o 5G ‘puro’ ainda deve acelerar a chamada 4ª Revolução Industrial, em que a automação será hegemônica, tornando várias profissões obsoletas – além de possibilitar novidades como cirurgias a distância e transporte em carros autônomos (sem condutores).

Já os críticos podem lembrar dos tons ‘proféticos’ de filmes distópicos de ficção científica, que prevêem as consequências para a  Humanidade de uma realidade cada vez mais tecnificada e dependente da internet para tudo, de franquias como “O Exteminador do Futuro” até “Matrix”.

Cobertura

Em Brasília, o sinal 5G puro começará a ser gerado por 100 antenas que cobrirão uma área ocupada por aproximadamente 50% da população do Distrito Federal. Nos próximos dois meses, mais 64 antenas passarão a funcionar, elevando o alcance da tecnologia para 65% da população.

Segundo a Anatel, as próximas capitais a receberem o sinal 5G puro serão Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo, mas as datas ainda não estão previstas. Até 29 de setembro, todas as capitais deverão contar com a tecnologia.

Acesso

Para ter acesso ao 5G puro, antes de mais nada, o usuário de internet precisará saber se a operadora da qual é cliente oferece o serviço e a área de cobertura, e finalmente ter um aparelho compatível com a tecnologia e a alta frequência da conexão. No site da Anatel é possível conhecer a lista de celulares homologados para o novo sistema.

De acordo com a Anatel, o consumidor precisa ficar atento porque existem celulares fora da lista que mostram o ícone 5G. Nesses casos, porém, o aparelho não opera o sinal 5G puro, mas o 5G no modo Dynamic Spectrum Sharing (DSS) ou non-standalone (NSA), chamado de 5G “impuro” por operar na mesma frequência do 4G, na faixa de 2,3 gigahertz (GHz). Dependendo da interferência, o sinal 5G “impuro” chega a apresentar velocidades inferiores ao 4G.

Parabólicas

O 5G puro ocupará na faixa de 3,5 GHz, faixa parcialmente ocupada por antenas parabólicas antigas que operam com sinal analógico na Banda C. As pessoas com esse sinal precisarão comprar uma antena nova e um receptor compatível com a Banda Ku, para onde está sendo transferido o sinal das antenas parabólicas. Famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) com parabólicas antigas receberão conversores novos, que dispensarão a necessidade de comprar outras antenas.

Segundo a Anatel, Brasília foi escolhida para estrear a tecnologia 5G por ter um número baixo de parabólicas. Conforme os dados mais recentes da agência reguladora, existem cerca de 3,3 mil parabólicas em funcionamento no Distrito Federal.

Originalmente, o edital do leilão do 5G, realizado em novembro do ano passado, previa que todas as capitais deveriam ser atendidas pela telefonia 5G até 31 de julho. No entanto, problemas com a escassez de chips e com atrasos na produção e importação de equipamentos eletrônicos gerados pela quebra das cadeias produtivas por conta das políticas de lockdowns durante a crise sanitária do covid-19 fez o cronograma atrasar dois meses.