Ato falho? Lula diz que ‘colocaram camiseta nos sequestradores do PT”

Lula discursando em 'Aula-Magna' da Unicamp na sexta-feira, dia 17 (Reprodução YouTube)

“Fala mais, Lula! Fala” – Augusto Nunes

Em aparente ato falho, petista diz que “colocaram camisetas nos sequestradores do PT, para dizer que o PT tinha sequestrado o Abílio Diniz”

No meio a um discurso de pré-campanha feito na sexta-feira, dia 17, durante “Aula Magna” da Universidade de Campinas (Unicamp) – Doutrinação nas universidades públicas? Imagine! – Luiz Inácio Lula da Silva (PT),  o ex-presidiário “descondenado” pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e pré-candidato à Presidência da República, cometeu um ato falho enquanto contava que intercedeu junto ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1998, para garantir a libertação da quadrilha que sequestrou o empresário Abílio Díniz:

“Colocaram camisetas nos sequestradores do PT, para dizer que o PT tinha sequestrado o Abílio Diniz”

O empresário, CEO do grupo Pão de Açúcar, foi sequestrado em 11 de dezembro de 1989, e permaneceu em cativeiro por seis dias, em uma espécie de porão, dentro uma caixa, submetido à tortura psicológica e física, já que não conseguia sequer ficar totalmente de pé e tinha dificuldade para respirar. “Para poder respirar melhor eu precisava me levantar, encostar o nariz em um cano e puxar o ar”, contou Diniz em recente entrevista ao canal de podcast Flow, no YouTube. Os sequestradores pediam US$ 30 milhões para libertar o empresário, que acabou solto em 17 de dezembro, depois de um cerco policial que durou 36 horas. Todos os integrantes da quadrilha acabaram presos e condenados.

Quando a quadrilha completava dez anos de prisão pelo crime praticado em 1989, iniciaram uma “greve de fome”. Pouco depois, anunciaram uma “greve seca”, em que se negavam até a beber água. Foi então que Lula procurou FHC para pedir a libertação dos sequestradores. Segundo Lula, o tucano aceitou o pedido para libertar os criminosos, mas impôs como condição que Lula convencesse os quadrilheiros a acabarem com a greve.

“Fui até a cadeia, para conversar com os meninos. ‘Olha, vocês vão ter de dar a palavra para mim que vão acabar com a greve de fome. E vocês serão soltos’, disse o petista.

Ato falho, Lula? “Colocaram camisetas nos sequestradores do PT”

Todos os sequestradores – aos quais Lula se referia como “meninos” – tinham acima de 24 anos, idade do único brasileiro da quadrilha na época, Raimundo Roselio Freire. Os demais quadrilheiros, os irmãos argentinos Humberto e Horácio Paz, que planejaram o sequestro, tinham 34 e 39 anos respetivamente. Os canadenses David Robert Spencer e Christine Gwen Lamont, 38 e 41 anos. Por fim, os cinco chilenos da quadrilha: Ulisses Acevedo, tinha 33 anos, Sergio Urtubia, 34, Pedro Lembach e Héctor Collante, tinham 35 anos, e Maria Marchi Badilla, tinha 43.

Em 1990, o art. 1º da Lei 8.072/90 tornou o tráfico de drogas, o terrorismo e a tortura crimes hediondos e inafiançáveis, mas por preceito constitucional, a mudança na lei não pode abarcar crimes anteriores. E no início de 1999, os quadrilheiros estrangeiros dentre os “meninos” de Lula, que ainda estavam presos, foram extraditados. O brasileiro foi indultado.

Vinte anos depois da libertação dos sequestradores, a lei 13.964/19 – o chamado pacote anticrime –, apresentado pelo governo Jair Bolsonaro, passou a considerar até mesmo o chamado “sequestro-relâmpago” entre os crimes hediondos e inafiançáveis previstos na lei 8.072/90.