Bolsonaro defende Ribeiro e nega interfererência em ação da PF

Presidente comparou caso com denúncia sem provas de Moro

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, na noite de domingo, dia 26 de junho, em uma live do programa 4 por 4, apresentado por Augusto Nunes, Ana Paula Henkel, Luiz Ernesto Lacombe e Rodrigo Constantino.

O ex-ministro chegou a ser preso na quarta-feira passada, dia 22, por determinação do  juiz Renato Borelli, da 15ª Vara da Justiça Federal de Brasília (mais conhecido por tentar obrigar Bolsonaro a usar máscaras em Brasília durante a pandemia, mas ter a decisão derrubada logo depois).

No dia seguinte da prisão de Ribeiro, o desembargador Ney Bello acolheu o habeas corpus apresentado pela defesa do ex-ministro, cassando liminarmente o mandado de prisão. Bello justificou a decisão lembrando que Milton Ribeiro não integra mais o governo há meses e os fatos não são atuais, já que a prisão “preventiva” só foi ordenada após a conclusão de inquérito preliminar da Polícia Federal.

A prisão “preventiva” causou estranheza – e parece apontar para o caráter político da prisão -,  porque, segundo o advogado do ex-ministro, Daniel Bialski, a alegação de “temor [do risco] de destruição de provas” pelo investigado, não se sustenta, uma vez que Ribeiro não ocupa mais o cargo.

Prisão midiática e ato político

Bolsonaro lembrou que o ex-ministro foi preso, estranha e “preventivamente”, em um caso que teve início com um pedido de investigação feito pelo próprio Milton Ribeiro:

“Quem começou a investigação foi a Controladoria-Geral da União (CGU) a pedido do próprio Milton. Ele achou que alguma coisa estava errada com as pessoas ao seu lado, a forma como era assediado, e pediu à CGU para que fizesse um pente fino em contratos e observasse a ação dessas pessoas na medida do possível e dentro da legalidade. E assim foi feito. Logo depois, a PF pegou esse relatório feito pela CGU e abriu uma investigação. Até que abriu o dia D, o dia da prisão do Milton.”

MP foi contra prisão

Na entrevista ao programa 4 por 4, Bolsonaro reiterou:

“Deixo claro que o Ministério Público foi contra a prisão, não tinha indícios mínimos de corrupção por parte dele [Ribeiro], e no meu entender, ele foi preso injustamente. O objetivo é constranger, humilhar, dizer que o governo é corrupto, que é igual ao do Lula. São narrativas que tentam a todo momento desgastar o governo, nada além disso. O que eu sei até o momento é que nenhum ministro meu errou, até porque nós temos mecanismos de filtros de ministérios que impedem a corrupção. Se acontecer algo de errado, a gente colabora com a investigação. Até o momento, não tem o mínimo indício de alguma coisa contra o ministro Milton”, garantiu Bolsonaro.

Denúncia de Interferência ‘padrão’ Moro

Bolsonaro se defendeu da acusação de que teria interferido nas investigações sobre o caso e negou que tenha avisado o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro sobre qualquer ação da Polícia Federal.

Bolsonaro comparou o caso a acusação – nunca comprovada – feira pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o Presidente teria interferido na PF, o que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a abrir um inquérito de ofício, que se arrasta desde 2020 sem apresentar provas ou ser arquivado pela absoluta falta delas.

O vídeo da reunião ministerial que segundo Moro, “provaria” a interferência de Bolsonaro na PF, não resultou em prova alguma.

Movimentação atípica

Apontada pela Velha Imprensa de Extrema-Esquerda como um suposto “indício” de movimentação financeira atípica – e suspeita – da família de Ribeiro, o recebimento de R$60 mil pagos pela filha de um dos pastores investigados no caso não passou do valor referente à venda de um automóvel Kia Sportage 2016 pela esposa de Ribeiro, que foi devidamente registrada em cartório.

Velha Imprensa esquerdalha chamou de ‘suspeita’ transação comercial legal registrada em cartório (Reprodução)

Bolsonaro lembrou que a investigação sobre os pastores que frequentavam o Ministério e que supostamente teriam pedido propinas de prefeitos alegando que intermediariam a liberação de verbas do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), começou a pedido do próprio ex-ministro, antes mesmo das denúncias feitas por jornais de clara oposição ao governo.

Para Bolsonaro, a prisão dr Ribeiro foi injusta e, até o momento, não encontrou evidências de que Milton tenha cometido atos de corrupção.