Bolsonaro: ‘Fachin se reuniu com embaixadores. Isso é um crime!’

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O Presidente da República, Jair Bolsonaro, descreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, como “marxista-leninista” e “advogado do MST” (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e declarou que o ministro cometeu um crime ao usurpar a atribuição exclusiva do Poder Executivo de comandar a diplomacia do país e a política externa brasileira. Fachin organizou uma reunião com embaixadores de mais de 70 países, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante o qual fez diversos ataques ao Presidente da República.

“Fachin é marxista-leninista. Advogado do MST. Esse mesmo ministro, semana passada se reuniu com dezenas de embaixadores. Quem trata de política externa sou eu e o ministro Carlos França. Isso é um crime!”

Bolsonaro ainda relembrou: “Fachin tirou um criminoso da cadeia para disputar às eleições. O mesmo Fachin que agora é presidente do TSE”, indignou-se o presidente.

As declarações de Bolsonaro foram feitas durante um almoço com empresários nesta quarta-feira, dia 8 de junho, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Quem está por trás da máquina

Ao falar sobre o processo eleitoral deste ano, Bolsonaro disse que espera que as eleições sejam “limpas e transparentes”, mas disse que “duvida” de quem está “por trás das máquinas”:

“De máquina, eu não duvido. Mas de quem está atrás da máquina, eu posso duvidar. Todos nós queremos eleições limpas e transparentes”,  disse o presidente.

Salto no abismo

Bolsonaro voltou a se referir — na fala aos  empresários fluminenses nesta quarta-feira — ao dilema que terá que enfrentar, caso o STF mude o Marco Temporal das Reservas Indígenas, com o objetivo de permitir a demarcação de novas reservas indígenas. A Constituição Federal de 1988 definiu que indígenas não poderiam reivindicar terras que não ocupavam antes de 1988.

“‘Decisão do Supremo não se discute, se cumpre’. É isso? Eu sou capitão. E se eu chegar para o cabo na beira do abismo e disser: ‘Salte’?”, comparou.

“Eu tenho duas alternativas se passar isso aí [um novo marco temporal]: Entrego as chaves para o Fux ou falo que não vou cumprir”, disse. “Eu fui do tempo em que decisão do Supremo não se discutia, se cumpria. Eu fui desse tempo. Não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos [até] dos leigos. É inacreditável. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil”, concluiu.