Bolsonaro: ‘Lula vai ligar para mim ao final das eleições’

“Temos mecanismos para praticamente zerar qualquer tipo de interferência”, garantiu o presidente 

Em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada na tarde deste domingo, dia 17 de julho, o presidente Jair Bolsonaro afirmou: ‘Lula terá que ligar para mim ao final das eleições’.

A afirmação foi feita a repórteres que o questionaram sobre vários assuntos que estiveram em destaque na última semana. Em dado momento, Bolsonaro foi questionado sobre quais serão os temas da reunião que realizará amanhã,  com quase 50 embaixadores.

No último dia 12, Bolsonaro havia antecipado que apresentaria aos embaixadores as provas de que as eleições de 2014 e 2018 foram fraudadas e de que ele teria sido eleito ainda no primeiro turno.

Bolsonaro sinaliza que eleições terão garantia contra fraude

Hoje, aparentando tranquilidade, Bolsonaro afirmou que quarenta embaixadores já confirmaram participação na reunião nesta segunda-feira. Ao ser questionado sobre quais serão os temas da reunião com os embaixadores, o presidente não perdeu a chance de criticar o “marxista leninista” Edson Fachin:

“ – Eu quero deixar bem claro uma coisa, que o Fachin não levou em conta: Quem trata de Politica Externa é o Presidente da República, de acordo com a Constituição.”

Questionado se havia ficado indignado com a atitude do ex-advogado do MST – após o episódio, Bolsonaro afirmou mais de uma vez que Fachin cometeu um “crime” e “estuprou à democracia” ao realizar uma reunião com embaixadores no dia 31 de maio -, o presidente admitiu:

“ – Claro que sim, ainda mais pelo teor do que foi tratado, que eu não vou citar aqui.”(Como já noticiado pelo portal Áppice).

E anunciou os temas que pretende apresentar para os embaixadores nesta segunda-feira:

“ – Farei uma exposição técnica. Não vou supor nada. O foco é na transparência eleitoral. Fazer com que, uma vez acabando a eleições ninguém duvide da mesma e o perdedor imediatamente ligue para o ganhador. Essa é a ideia. Temos mecanismos de, praticamente zerar qualquer tipo de interferência”, garantiu.

Questionado por um dos repórteres se, ao afirmar que a “intenção é garantir que o perdedor ligue imediatamente para o ganhador”, Bolsonaro estaria afirmando que ligaria para Lula ao final das eleições, o presidente descartou a possibilidade:

“ – Ele que vai ligar pra mim, eu tenho certeza que eu não vou ligar pra ele.”

O repórter insistiu:

“ – Mas se perder, o senhor ligaria?”

“ – Não tem um ‘se’ nessa questão. É o Flamengo – com todo o respeito – enfrentando o Bangu, pô! Com toda certeza. Não tem cabimento. Até com o time reserva. Com todo o respeito ao Bangu, lá do meu estado do Rio de Janeiro. O bairro do Bangu também.”

As declarações ocorrem dias depois do presidente anunciar, no último dia 12, que apresentaria aos embaixadores provas obtidas pelo Exército Brasileiro de que as eleições de 2014 e 2018 foram fraudadas e de que ele teria sido eleito no primeiro turno em 2018, se o sistema não tivesse sido manipulado.

Questão de Segurança Nacional e GLO
Nesta semana, dias depois da declaração do presidente, o ministro da Defesa e ex-comandante do Exército Brasileiro, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, anunciou que, independentemente da anuência, ou não, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as Forças Armadas vão fiscalizar todo o processo eleitoral: da lacração das urnas à apuração dos votos.

A declaração foi uma resposta contundente às declarações recentes do presidente do tribunal, Edson Fachin, de que as eleições seriam realizadas pelas “forças desarmadas” e que “o assunto estava encerrado,” Fachin fez as declarações depois de ignorar 86 sugestões feitas por especialistas em Guerra Cibernética das Forças Armadas que visavam a garantir a lisura do processo eleitoral nas eleições deste ano. E ainda declarou que as sugestões poderiam até ser consideradas, “mas somente a partir do ano que vem.”

As declarações indignaram à cúpula das Forças Armadas brasileiras que, nos bastidores, já contemplam a possibilidade de um decreto constitucional de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para garantir a lisura das eleições.