Comunista Raul Jungmann envia carta ao STF em que acusa Bolsonaro de querer ‘guerra civil’

Assustado com o crescimento do número de armas legalizadas, Jungmann enviou carta aberta aos ministros do STF

Raul Jungmann, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e Ministro Extraordinário de Política Fundiária do governo do social democrata Fernando Henrique Cardoso, ministro da Defesa e ministro Extraordinário da Segurança Pública do governo Temer, encaminhou carta aberta aos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em que apela por “urgente intervenção” do tribunal, “visando conjurar a ameaça que paira sobre a Nação, a Democracia, a paz e a vida”.

Militante comunista, o ex-integrante do Partido Comunista Brasileiro e Partido Popular Socialista (PPS), atualmente sem partido, expressa a preocupação recorrente entre a Esquerda brasileira, de que cidadãos honestos, sem antecedentes criminais, possuam ou portem armas de fogo.

A retórica é sempre alimentada pela falácia – sempre desmentida por dados estatísticos – de que a posse de armas legalizadas por cidadãos de bem aumentaria o número de crimes, quando o que se verifica é justamente o fenômeno contrário.

Segundo Jungmann: “O maior acesso a armas pela população aumentará os homicídios […] “atividades criminosas, como as milícias e o tráfico de drogas” […] “feminicidios, sequestros”[…] “o crime organizado e as milícias, estando sempre associadas ao tráfico de drogas.” (Alguém tem notícia de que um traficante tenha procurado a Polícia Federal ou o Exército para registrar um fuzil AR-15 trazido do Paraguai?)

O ex-ministro alerta para “risco de gravíssima lesão ao sistema democrático com a liberação, pela Presidência da República, do acesso massificado dos cidadãos a armas de fogo” e atribui ao governo “erro ameaçador”.

Jungmann ainda citou, absolutamente fora do contexto, o episódio a invasão da sede do Capitólio, sede do congresso nacional dos EUA, no dia 6 de janeiro. Entre os invasores do prédio já foram identificados tanto apoiadores de Donald Trump quanto integrantes de movimentos de Esquerda como os Antifas e Black Lives Matter.

Na carta, Jungmann discorda da justificativa do governo Bolsonaro de que o armamento da população se deve à “garantia da liberdade”. Para ele, na verdade, evoca “o terrível flagelo da guerra civil, e do massacre de brasileiros por brasileiros”.

Argumento falacioso, sempre desmascarado pelo presidente Bolsonaro, que justifica que o que ocorre é justamente o contrário:

Cidadãos honestos, capacitados e armados, não seriam vítimas fáceis de regimes de exceção, como ditaduras comunistas, que sempre desarmaram suas populações antes de impor seus regimes genocidas de terror, com a execução sumária dos próprios cidadãos dissidentes de suas revoluções.

No último dia 12, o presidente Jair Bolsonaro editou quatro decretos de 2019 que regulam a aquisição de armas no país. Entre as mudanças, está o aumento de quatro para seis, do número máximo de armas de uso permitido a pessoas com Certificado de Registro de Arma de Fogo.

Na reportagem publicada pelo Estado de São Paulo, Jungmann destaca ainda que “também foi flexibilizada a norma que exige autorização do exército para compras de armas por caçadores e atiradores e dispensa de registro dos comerciantes de armas de pressão junto ao Exército.”

Segundo o militante comunista há décadas – e portanto, ideologicamente comprometido com a defesa das ditaduras do proletariado:

“É iminente o risco de gravíssima lesão ao sistema democrático em nosso país com a liberação, pela Presidência da República, do acesso massificado dos cidadãos a armas de fogo, inclusive as de uso restrito, para fins de “assegurar a defesa da liberdade dos brasileiros” (sic), sobre a qual inexistem quaisquer ameaças, reais ou imaginárias.” (sic)

Jungmann cai em contradição ao admitir que “em 2018, pela primeira vez em muitos anos, revertemos a curva das mortes violentas”, justamente o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro.

E ao citar o aumento do número de mortes neste ano, omite que a gigantesca maioria dos crimes violentos nos últimos dois anos foram protagonizados por criminosos, não por cidadãos de bem.

A reportagem registra ainda que “somente no ano de 2020, foi registrado um aumento de 90% no número de armas legalizadas, relativamente a 2019, o maior crescimento de toda série histórica, segundo dados da Polícia Federal.”

Isto sim, pode sinalizar qual é o real temor do comunista Jungmann:

“– Nossas eleições estão aí, em 2022. E pouco tempo nos resta para conjurar o inominável presságio”.