CPI deve investigar denúncias de que PCC financiava Partido dos Trabalhadores

Deputado Filipe Barros - Paulo Sérgio / Câmara dos Deputados
Irmãos siameses?

Em delação premiada, ex-operador do ‘Mensalão’ ainda revelou à Polícia Federal que Celso Daniel teria sido morto por tentar denunciar esquema

 

A partir desta segunda-feira, dia 4, serão colhidas assinaturas para abertura de uma “CPI do Narcotráfico”, para investigar as revelações feitas pelo publicitário Marcos Valério de que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tinha um esquema de arrecadação e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas para financiar integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

O anúncio sobre a coleta de assinaturas para a abertura da CPI  foi feito pelo deputado federal Filipe Barros (PL-PR) na última sexta-feira, dia 1º de julho, pelo Twitter, após a revista Veja ter publicado trechos da delação premiada de Marcos Valério para a Polícia Federal (PF).

Reprodução ,/ Twitter

Quem é Marcos Valério?

O publicitário Marcos Valério foi operador do PT no esquema de corrupção que pagava “mesadas” mensais, para parlamentares federais, em troca de apoio às medidas e propostas do então governo Lula.

Valério foi condenado pelos crimes de peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro, a 37 anos, 5 meses e 6 dias de reclusão, em regime inicial fechado.

Delação e Ameaças no Teatro das Tesouras

Em 2018, Marcos Valério foi condenado também pelo esquema do mensalão tucano, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, a 16 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado.

Em setembro de 2019, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, concedeu a Valério a progressão do regime para o semiaberto. Mais recentemente, Valério passou a cumprir prisão domiciliar, por decisão do STF que libertou mais de 30 mil criminosos condenados sob o argumento de evitar a propagação do covid-19 no sistema carcerário brasileiro.

Tortura, assassinato e ameaça nada velada

Para à Polícia Federal, Marcos Valério declarou ainda que, durante a prisão domiciliar – por conta de seu acordo de delação premiada – teria ouvido uma suposta ameaça do partido, transmitida pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

Durante uma conversa que, segundo Marcos Valério, teria sido testemunhada por várias pessoas, Paulo Okamoto teria feito uma declaração que pode, praticamente, ser entendida como uma confissão de autoria do PT no caso da tortura e assassinato do ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel:

“A direção do PT queria dar a você (Marcos Valério), o mesmo destino dado ao Celso Daniel, mas eu fui contra!”

Valério revelou que Celso Daniel teria sido barbaramente assassinado por ter produzido um dossiê com os nomes dos petistas financiados pelo PCC. Valério declarou que depois da execução, o dossiê desapareceu.

Chantagem

Marcos Valério contou ainda que soube, pelo então presidente nacional do PT, Silvio Pereira, que o empresário do setor de transportes, Ronan Maria Pinto, chantageava o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, para manter o silêncio sobre o esquema de financiamento do PT com dinheiro lavado da venda de drogas do PCC.