Direita continua ingênua em sua luta contra criminosos

A saída pela tangente de Lira: "Não infiro fraude à ninguém"[...] 'essa fraude" (Reprodução YouTube)


Sabotagem?

Vou me permitir parafrasear o professor Olavo de Carvalho nessa introdução:

“Não se pode lutar dentro das regras da Nobre Arte (o boxe), com alguém que vêm contra você com um soco inglês e um punhal.”

Enquanto uma Esquerda amoral joga sujo e capitaliza até Leite Moça, passa em brancas nuvens uma fala como essa do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que sinalizou que o sistema de votação na Câmara dos Deputados – quer seja presencial, seja remoto – vem sendo atacado desde a “votação da PEC do Voto Impresso”. Não por coincidência, nas pautas que são mais caras ao governo Bolsonaro, como a do Teto do ICMS e agora, a sofrida aprovação da PEC dos Benefícios.

O texto-base da PEC – que aumenta emergencialmente até dezembro o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600; amplia o programa do Vale-Gás e cria um “voucher” de R$ 1 mil para os caminhoneiros – havia sido aprovado em primeiro turno, com 393 votos a favor (uma margem folgada de 85 votos) e 14 contra. Os deputados se preparavam para a votação em segundo turno quando uma suspeitíssima pane no sistema remoto de votação paralisou os trabalhos.

Na noite da última segunda-feira, dia 12, o presidente da Câmara dos Deputados, fez os comentários sobre a suspeita de invasão hacker ao sistema de votação da Casa Legislativa, que deveria ter revoltado a Direita brasileira, mas que parece nem sequer ter chamado a atenção de ninguém.

“Grave agressão” e “fraude”, mas “sem inferir responsabilidade a ninguém”

Lira declarou, com todas as letras, que o sistema de votação da Câmara –  tanto presencial, como o voto remoto realizado pelo aplicativo InfoLeg – “sofreu um ataque”. Lira insinuou que essa “fraude” pode ter tentado sabotado votações cruciais para o governo Bolsonaro. Em uma fala repleta de dubiedade – que falou de “grave agressão” e “fraude”, ao mesmo tempo em que tentava afirmar que “não inferia responsabilidade a ninguém”, o presidente da Câmara disse:

“Quero aqui ressaltar que a minha fala de ontem não inferiu nenhum tipo de responsabilidade à qualquer possibilidade, de qualquer parlamentar, de qualquer partido, de qualquer tendência nessa casa, de ter interferido no fato que aconteceu, que é um fato extraordinário de uma grave agressão ao funcionamento do Poder Legislativo, seja ela casual, acidental ou proposital.”

Lira acrescentou que passou a bola para quem de direito, já que os parlamentares de Direita parecem estar dormindo na Câmara:

“Por isso a Polícia Federal já soltou uma nota à Imprensa. Tive ontem uma reunião com alguns membros da oposição e colocamos da seguinte maneira: “Essa presidência diferente do que alguns pensam, sempre prezou pela manutenção do nome desta Casa e do nome da Câmara dos Deputados. Nós tivemos uma inconsistência na votação da PEC do voto impresso. Conseguimos ultrapassar com muita dificuldade naquele momento. Depois nós tivemos um problema de painel no PLP 18 (do Teto do ICMS). A Imprensa confirmou, a gente tinha as votações, mas o painel travava, não alimentava. Como o problema foi do painel e foi interno, foi de inferência da Câmara dos Deputados, nós encerramos a sessão, cancelamos a votação – é só pegar nos anais da Casa – abrimos o painel no outro dia e fizemos outra votação, no PLP 18.”

Algo foi longe demais desta vez?

“O que aconteceu ontem, não é fato comum, não é normal, não é corriqueiro, e eu espero que jamais aconteça. Nós temos duas empresas contratadas. Uma que trabalha aqui e no Senado – uma mesma empresa da assistência às duas Casas – e uma segunda de suporte, que a Câmera tem uma e o Senado tem outra. Nós, durante toda a sessão, não conseguimos sequer contato com essas empresas. Ninguém dava satisfação.”

Indício grave de fraude

“Os dois sistemas paralelos, diversos – e um de suporte ao outro – caíram ao mesmo tempo. A Câmara ficou sem comunicação. Os deputados como o deputado Glauber disse – que não teve o direito, ele, de vir votar, porque o sistema permite que ele fora do Plenário pudesse votar como ele mais de 40 deputados estavam nessa situação. E a nossa intenção foi de preservar uma possibilidade regimental, para que os deputados, em uma votação de PEC importante, polêmica, que traz efeitos sociais, econômicos, políticos de todo nível no Brasil, pudessem expressar a sua vontade.”

Por fim, Lira reiterou que a investigação das eventuais responsabilidades, que ele não quis atribuir a ninguém, já estão sendo investigadas. Enquanto isso, os parlamentares de Direita continuam “dormindo eternamente em berço esplêndido”.

“O respeito dessa Presidência foi para que, um problema técnico, que eu entendo, que tem muita coincidência, eu repito, de dois sistemas autônomos caírem ao mesmo tempo – e eu não imputo isso, nem posso imputar essa fraude – tanto é que a Polícia Federal esteve aqui, e eu acompanhei, através do diretor-geral, até 3:40 da madrugada. Levaram todos os equipamentos, a análise dos logs de quem ‘logou’ na Casa; instaurou um processo, como eles dizem aqui: “A Polícia Federal foi acionada na noite desta terça-feira, dia 12/7, pela Câmara dos Deputados para apurar falhas na Internet e inconsistências no sistema de votação da Casa. Após o acionamento, uma equipe técnica esteve no local e fez as primeiras verificações. Foi instaurado procedimento preliminar de inquérito de apuração na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal e as diligências continuam a fim de se esclarecer plenamente o ocorrido”. Até agora, as duas empresas não deram a menor satisfação a Casa sobre o que houve.”