Entendendo porque Lula faz campanha virtual (literalmente)

O extermínio da legalidade e ‘a tomada do poder, que é diferente de vencer às eleições’

Luís Inácio da Silva, ex-presidente e ex-presidiário descondenado em um escandaloso malabarismo jurídico de Edson Fachin – ex-advogado do MST (Movimento dos Sem-Terra) e ex-“cabo eleitoral” da ex-terrorista anistiada pelo Regime Militar, Dilma Rousseff – ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), figura em primeiro lugar em um grande número de pesquisas de intenção de voto. Algumas delas chegam a apontar a vitória de Lula ainda no primeiro turno. Quase a totalidade dos levantamentos vem sendo encomendadas por bancos ou instituições financeiras que – “nunca antes na história desse país” – nas palavras do próprio Lula  – “ganharam tanto dinheiro quanto nos meus dois mandatos.” Mesmo assim, a pré-campanha do ex-presidente continua sendo realizada de maneira totalmente virtual. Literalmente.

Lula foi condenado a 9 anos e meio de prisão pelo então juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Após ter sua pena ampliada para 12 anos e 1 mês por desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o petista foi preso em abril de 2018. Cumpria pena há 580 dias na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Paraná quando foi libertado – juntamente com outros 5 mil presos condenados no país – após um “cavalo de pau” do Supremo Tribunal Federal (STF) que alterou a jurisprudência da própria Côrte, para não permitir mais o cumprimento automático de penas de condenados em segunda instância.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda confirmaria a culpa de Lula,  mas reduziria a pena de prisão do petista para 8 anos e 10 meses. Apesar de condenado em três instâncias, Lula não voltaria à prisão, porque a defesa do agora ex-presidiário ingressou com recursos junto ao STJ e ao STF.

O caso do triplex em Guarujá (SP), investigado pela Operação Lava Jato – que levou Lula à prisão – posteriormente ainda seria anulado pelo STF, que apontou “suspeição” e “parcialidade” do então juiz Sérgio Moro, com base em mensagens de aplicativo obtidas ilegalmente por hackers e que nunca chegaram a ser periciadas.

Quando foi solto, Lula prometeu que viajaria o país, mas desistiu da promessa depois de ser hostilizado pela população nas poucas tentativas que fez de apresentar-se em público.

Em março de 2021, o petista voltou a estar elegível após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, responsável pelos casos da Lava Jato, anular escandalosamente as condenações em três instâncias do petista, alegando um erro processual primário: a competência para julgar o caso do triplex não seria da 13ª Vara Federal de Curitiba, mas da Justiça Federal de Brasília.

Mais recentemente, os casos foram arquivados porque, como Lula já tem mais de 70 anos, o prazo para prescrição dos crimes é reduzido pela metade.

Tomando às eleições

Assim, o projeto de Lula de “tomar o poder, o que é diferente de vencer as eleições”, como o seu mentor, José Dirceu, descreveu, pode seguir adiante. Mesmo que a campanha não saia do universo paralelo das pesquisas para vir para o mundo real.

Afinal, como confessou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Barroso, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral): “Eleições não se vencem. Eleições se tomam.”