Ex-ministro Milton Ribeiro é preso pela Polícia Federal

Notícia atualizada às 14h57 para acréscimo de informações

Na manhã desta quarta-feira, dia 22 de junho, foi preso preventivamente em Santos, no litoral sul de São Paulo, o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. A prisão ocorre dentro da  operação “Acesso Pago”, da Polícia Federal, deflagrada hoje, que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), vinculado ao Ministério da Educação(MEC).

A 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal determinou, além da prisão preventiva do ex-ministro, outras 4 prisões nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e no Distrito Federal; 13 mandados de busca e apreensão e ainda medidas cautelares como a proibição de contatos entre os investigados.

‘Prisão abusiva e espetacularização midiática’

Os mandados foram expedidos após a apresentação do Relatório Final da Investigação Preliminar Sumária da Controladoria-Geral da União e não foi informado pela Justiça porque o ex-ministro foi preso, já que Ribeiro não ocupa o cargo há meses e a investigação preliminar já havia sido concluída. Logo, uma hipotética obstrução das investigações não pode ser sequer considerada.

O mesmo questionamento foi feito por Daniel Bielski, advogado do ex-ministro  Milton Ribeiro, durante entrevista ao programa Prós e Contras, da Jovem Pan News, na tarde desta quarta.

O advogado afirmou que considera a prisão “ilegal”, já que não teve acesso à justificativa do juiz que determinou a prisão do ex-ministro – o que configuraria abuso de autoridade – e estaria inclusive dificultando a elaboração de um habeas corpus.

Bielski ainda declarou que a prisão está sendo “espetacularizada” pela imprensa pelo fato de estarmos em um ano eleitoral, com o objetivo de tentar abalar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Entenda o caso

Em março, o jornal O Estado de S.Paulo denunciou a suposta existência de um esquema de favorecimentos na liberação de recursos do Ministério da Educação, que supostamente seria intermediado pelos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Dias depois, a Folha de SP divulgou um áudio em que Ribeiro afirmava que o presidente Jair Bolsonaro havia lhe pedido que recebesse os pastores.

Ribeiro negou que tenha cometido qualquer irregularidade na liberação de recursos a prefeituras e ainda informou que antes das denúncias feitas pelos jornais já havia pedido à Controladoria Geral da União (CGU) que investigasse as supostas intermediações entre os pastores e prefeitos, sobre as quais teve conhecimento por meio de uma denúncia anônima.

Alguns dias depois, Ribeiro demitiu-se do cargo para defender-se apropriadamente.