Google demite engenheiro que afirmou que I.A. já tem ‘consciência’

Brincando de Deus

Empresa afirma que declarações de profissional foram baseadas em ‘convicções religiosas’

 

O Google demitiu o engenheiro Blake Lemoine por ter dito que um sistema de linguagem desenvolvido pela empresa tinha adquirido consciência, sentimentos e “espírito”. Trata-se da Linguagem Modelo para Aplicações de Diálogo (LaMDA), uma das mais avançadas experiências em inteligência artificial.

Lemoine estava afastado desde junho deste ano. A informação foi divulgada pelo Google na sexta-feira, dia 22 de julho. De acordo com a companhia, o engenheiro violou as regras de confidencialidade da empresa. Para eles, as afirmações de Lemoine sobre a LaMDA são falsas e infundadas.

“Termina um ciclo em que vivi por vários anos. Fiz meu trabalho corretamente”, escreveu Lemoine nas redes sociais neste sábado, 23. “Apesar de expor algo que realmente vivenciei, estou sendo injustiçado pela empresa à qual dediquei minha vida por anos.”

Segundo o ex-funcionário, um dia antes de seu afastamento da empresa, ele entregou alguns documentos ao gabinete de um senador dos EUA, informando que, na papelada, existiam evidências de que a área tecnológica do Google estava envolvida em discriminação religiosa.

Na época, a empresa se pronunciou reforçando que a LaMDA conseguia imitar uma conversa comum entre seres humanos. Contudo, isso não queria dizer que o sistema de linguagem tinha consciência.

“Nossa equipe revisou as preocupações de Lemoine, de acordo com nossos princípios de IA”, comunicou, no mês passado. “Informamos que as evidências não apoiam suas alegações.”

O engenheiro é um veterano militar que se declarou como pastor, ex-presidiário e pesquisador de IA. Lemoine disse aos coordenadores do Google que a LaMDA era uma criança que tinha entre 7 e 8 anos.

O ex-funcionário queria que a empresa pedisse o consentimento da IA antes de realizar experimentos nela. Segundo o Google, as alegações de Lemoine foram baseadas nas próprias crenças religiosas.