Governo acumula déficit de R$ 743 bilhões em 2020 para combater ao Covid-19

Déficit de 681% em relação aos R$ 95,1 bilhões registrados em 2019 é reflexo do aumento das despesas para combater a pandemia, somado à queda acentuada das arrecadações durante a paralisação da economia determinada por governadores e prefeitos

Silvio Ferreira, com informações Jovem Pan / Futura Press / Estadão Conteúdo

Números do Tesouro Nacional divulgados nesta quinta-feira (28) apontam que os esforços para combater os danos à Saúde Pública e à Economia do país com a Peste Chinesa, o governo federal precisou acumular um déficit de R$ 743,1 bilhões em 2020. O valor corresponde a um aumento recorde de 681% do déficit de R$ 95,1 bilhões registrado no ano passado.

O rombo foi composto pelo déficit de R$ 484 bilhões do Tesouro Nacional e do Banco Central e de R$ 259,1 bilhões na Previdência Social e é resultado do aumento das despesas em um cenário de redução de 13,5%, da arrecadação de impostos federais – aproximadamente 26,2 bilhões – além da queda de R$ 19,7 bilhões do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras.

A queda livre na arrecadação foi promovida pela paralisação da economia determinada por governadores e prefeitos com a adoção dos chamados lockdowns horizontais, em que apenas serviços essenciais funcionam, medida que já demonstrou-se absolutamente ineficaz para conter o avanço da Peste Chinesa e uma tragédia para a economia de municípios, estados e da União.

Por outro lado, as despesas do governo central dispararam 31,1%, com o combate à pandemia, que totalizaram R$ 520,9 bilhões, de um total de R$ 599,7 bilhões aprovados até o final de dezembro.

Apesar da disparada vertiginosa, o déficit veio abaixo dos R$ 831,8 bilhões estimados pela equipe econômica após os primeiros impactos da crise gerada pela Covid-19. Antes da pandemia, o rombo era estimado em R$ 88,7 bilhões.

As despesas discricionárias, ou seja, as que o governo tem poder de decisão, atingiram R$ 108,2 bilhões em 2020, o menor valor real desde o início da série histórica, em 2008.

Segundo informações do Tesouro Nacional, o esforço pela sustentabilidade fiscal no Brasil tem sido a base da ancoragem das expectativas que tem permitido a manutenção da política de juros baixos e a manutenção da confiança dos agentes econômicos no País, estimulando os investimentos e a geração de emprego e renda e, consequentemente, o aumento de bem-estar da população, mesmo diante de uma das maiores crises que o país já viveu.