Moraes nega pedido da PGR para arquivar inquérito contra Bolsonaro

Alexandre de Moraes | Foto SCO STF

Abuso de Poder: Togado insiste na ação mesmo depois de ser acusado de violações do processo acusatório – feitas pela vice-procuradora Lindôra Araújo – que caracterizariam abuso de poder do ministro. A insistência do togado em tocar o inquérito também ocorre, apesar de o depoimento do delegado que investigava o caso e de informações oficiais das corregedorias da Polícia Federal e da Câmara dos Deputados, que atestarem que não havia sigilo decretado sobre procedimento investigatório.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, a recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo arquivamento de inquérito contra o Presidente da República, Jair Bolsonaro, era investigado pela falsa alegação de vazamento de dados sigilosos da investigação da Polícia Federal (PF) sobre a invasão hacker que durou 8 meses no sistema eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre abril e novembro de 2018, ou seja, antes, durante e depois das eleições para a Presidência da República daquele ano.

No pedido, feito pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, Moraes foi acusado de adentrar “funções precípuas e exclusivas” do Ministério Público e “contaminar” provas da investigação.

Em agosto de 2021, Bolsonaro expôs nas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal, três anos antes, sobre a invasão admitida por documentos oficiais do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O inquérito, sob o qual não havia sigilo decretado, já havia sido objeto de análise até mesmo durante uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, que debatia a vulnerabilidade das urnas eletrônicas.

Ignorando e atropelando estes fatos, os ministros do TSE apresentaram uma notícia-crime contra o Presidente da República. Na ocasião, o procurador-geral da República, Augusto Aras, deu parecer pelo arquivamento da notícia-crime, alegando que não houve crime na conduta. Mesmo assim, o ministro Alexandre de Moraes abriu – de ofício e sem nenhuma base probatória – o inquérito contra o Chefe do Executivo

Já em um relatório preliminar encaminhado pela PF ao Supremo, no começo do ano, a delegada Denisse Ribeiro afirmou que reuniu elementos sobre a ‘atuação direta, voluntária e consciente’ do presidente ao divulgar informações sigilosas de uma investigação em andamento. Afirmações desmentidas, em depoimento, pelo delegado responsável pelas investigações Victor Neves Feitosa, que garantiu que não havia sigilo sobre o caso. Feitosa foi afastado do caso por Alexandre de Moraes.

Dias depois da declaração da delegada Denisse Ribeiro, a comentarista Ana Paula Henkel resgatou durante o programa “Os Pingos nos Is” da Jovem Pan, um episódio muito esclarecedor sobre a delegada que fez as declarações falsas sobre o sigilo do caso. Atente para às falas de Ana Paula Henkel e aos comentários que se seguiram em duas edições dos Pingos nos Is, dos dias 8 e 11 de fevereiro.

Os Pingos Nos Is – 8 de fevereiro de 2022

 

Denisse Dias Rosas Ribeiro, era a coordenadora da Operação Acrônimo, que apontou que o agora ministro do STF, Alexandre de Moraes, teria recebido R$4 milhões de empresa investigada na operação. Depois do episódio, Denisse tornou-se a delegada de confiança de Alexandre de Moraes, como aponta o portal o blog esquerdista “Portal da Cidadania”.

Após a informação ser divulgada por Ana Paula Henkel, ao vivo, nos “Pingos Nos Is”, a delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro afastou-se das investigações, no dia 14 de fevereiro, por licença-maternidade.

 

Os Pingos Nos Is de 11 de fevereiro de 2022