MS precisa qualificar 137,5 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025

Desse total, 110,6 mil profissionais já possuem formação, mas precisam se aperfeiçoar

 

Mato Grosso do Sul precisa qualificar 137,5 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025, alerta o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, compilado pelo Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Deste total, 26,8 mil deverão se capacitar em formação inicial – para repor os inativos e preencher novas vagas – e 110,6 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar.

O levantamento, que considera o contexto econômico, político e tecnológico de cada estado do país, estima que o Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos.

Demanda maior ainda é por técnicos

Segundo o gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, a demanda por profissionais com nível técnico ainda representa 82% do total, mas tem sido registrado um aumento pela demanda por profissionais com formação em nível superior. “Profissionais que fazem qualificação profissional, fazem curso técnico e depois caminham para o ensino superior são profissionais extremamente valorizados no mercado de trabalho, pela experiência, pela prática e também pela formação”, avalia Guerra.

Problema nacional

O diretor-regional do Serviço Nacional da Indústria (Senai-MS), Rodolpho Caesar Mangialardo, destaque que não é apenas o estado de Mato Grosso do Sul que enfrenta a escassez de mão de obra qualificada, mas todo o país: “Principalmente para os serviços funcionais, o chão de fábrica da indústria. A Fiems e o Senai têm se preparado há alguns anos com relação ao atendimento desse público. Temos oportunidades para qualquer tipo de modalidade, além de nos especializarmos em cursos mais tecnológicos, a chamada indústria 4.0”. Mangialardo conta que MS vive um momento em que “parte da mão de obra técnica migra para atuar em trabalhos mais administrativos” e que “faltam profissionais como eletricistas e mecânicos de manutenção, apesar da disponibilidade de cursos de qualificação profissional destes profissionais no Senai”. Ele acrescenta: “Não tenha dúvida de que a Federação está pronta para atender, seja com Senai, com Sesi e com IEL essa demanda de qualificação de 137 mil trabalhadores”.

Profissionais-Coringas

Segundo o gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria a principal demanda é por profissionais das áreas chamadas “transversais”, aquelas em que os trabalhadores podem ser empregados por diversos setores da economia, desde o setor automotivo até o setor de alimentos e também pela indústria 4.0, relacionada a automação de processos industriais. Sobre esta última área do desenvolvimento industrial, o diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo avalia: “Embora haja uma aposta na qualificação para a indústria 4.0 em outros estados, Mato Grosso do Sul ainda passa por um momento de transição, em que a implantação de determinadas tecnologias ainda não foram feitas. Nós pesquisamos as regiões do Mato Grosso do Sul e identificamos as necessidades em cada uma das áreas. De fato, os cursos mais solicitados são mais básicos e ainda não são voltados à tecnologia da indústria 4.0. As regiões mais demandas são aquelas que ainda têm maior talento industrial, como, por exemplo, a região de Corumbá, no minério, a região de Três Lagoas, na celulose”, conclui.

Mapa do Trabalho Industrial

Segundo o gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, “o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional não só para o Senai, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que [os profissionais] possam planejar a sua trajetória de formação profissional”, conclui.