MSGás não será vendida com privatização da Gaspetro

(Foto: MSGás/Divulgação)

Governo do Estado e diretoria afirmam que empresa entrará em nova fase de investimentos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na última semana, a venda de 51% das ações da Petrobras Gás S.A. (Gaspetro) para a Compass Gás e Energia, subsidiária do grupo Cosan, por R$ 2,097 bilhões. A venda da Gaspetro não implicará na venda da Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás).

Nos bastidores, especulava-se que a privatização da Gaspetro invariavelmente desencadearia a privatização da companhia estadual, mas no ano passado o governo de MS – sócio majoritário da MSGás, com 51% das ações – anunciou que não tinha a intenção de privatizar a companhia.

Com a efetivação da negociação, a holding com participações em 18 distribuidoras regionais de gás natural no País, entre elas, a MSGás, mudará o nome de Gaspetro para ‘Commit’. Atualmente, as redes de distribuição da Gaspetro abarcam aproximadamente, 10 mil km, com volume distribuído de quase 29 milhões m³/dia.

Marco Regulatório do Gás

Em 2021, o governo Jair Bolsonaro aprovou um novo marco regulatório para o setor do gás, que proibiu que uma empresa detenha o monopólio de todas as etapas da cadeia de produção do gás natural, da extração e processamento à distribuição. Concebida pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, a proposta visou a garantir que a concorrência ajude a reduzir o preço do gás em todo o país.

Em decorrência dessa nova regulamentação, o grupo Cosan comprou a Gaspetro. A gigante é controladora da Raízen, do setor de energia, açúcar e etanol, com duas usinas em MS (em Rio Brilhante e em Caarapó); a Rumo Logística, empresa de modais ferroviários e armazenamento de cargas, e a Moove, produtora de óleos lubrificantes.

Segundo informações divulgadas pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a possibilidade de que a companhia estadual seja estatizada na esteira da Gaspetro está descartada. O secretário informou, entretanto, que com a aquisição pelo grupo Cosan, a nova empresa, denominada “Commit”, indicará o diretor técnico e diretor operacional da companhia estadual, que passam a integrar o conselho de administração da MSGás, imediatamente.

Companhia é lucrativa para MS

A MS Gás afirma já ter investido mais de R$ 22 milhões na rede de distribuição de mais de 400 km instalada no estado e possuir uma carteira de clientes com mais de 13 mil unidades consumidoras. No último ano, a companhia declarou lucro de R$ 52,3 milhões com a distribuição de 576,4 milhões de m³ de gás natural (1,6 milhão de m³ por dia), um incremento de 39,3% em comparação a 2020.

A diretoria da MSGás não cogita a hipótese de privatização e aposta que com a mudança da Gaspetro para Commit, a companhia estadual entrará em uma fase de novos investimentos, com planos de implementação do sistema de distribuição de gás nos municípios de Sidrolândia, Maracaju e Dourados para os próximos anos.