Nota de Pesar pela morte de Vítor Procópio Trindade

José Maria Trindade e o filho, o médico Vítor Procópio Trindade (Reprodução/ Rede Social)

Pela morte do médico Vítor Procópio Trindade

Quero me solidarizar com o jornalista José Maria Trindade e esposa. Confesso que não consegui publicar essa nota de pesar ontem, pela comoção e pelas profundas reflexões que a notícia provocou a mim, como pai.
Em nome do portal Áppice, um canal  não-religioso, mas que anseio, esteja sendo edificado sobre a Rocha – que é Jesus – quero expressar o meu pesar ao jornalista José Maria Trindade e a esposa que, experimentam a dor indescritível da perda de um filho amado.
Peço ao SENHOR, em Nome de Jesus, que console os corações do casal, dos familiares e amigos e da namorada de Vítor.
“E o Senhor lhes enxugará dos olhos toda a lágrima.” (Apoc.21:4)

Vítor Procópio Trindade, de 27 anos, médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Brasília, morreu nesta quarta-feira, dia 6 de junho, em decorrência dos ferimentos causados pela colisão entre a ambulância da equipe de Resgate que integrava com um caminhão na BR-060, próximo a Abadiânia, em Goiás.

O médico era filho do jornalista José Maria Trindade, comentarista do programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan News, e um dos mais reconhecidos repórteres emissora.

A ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que Vítor integrava, retornava para Valparaíso de Goiás (GO), depois de conduzir a vítima de um acidente para Goiânia. No trajeto de retorno a unidade colidiu com um caminhão que estaria parado na rodovia.

Os ocupantes da ambulância – o médico, um enfermeiro e o condutor – ficaram feridos e foram encaminhados para unidades de saúde da capital federal.

Vítor, com lesões graves, foi levado para o Hospital de Base de Brasília e, transferido posteriormente para o Hospital de Brasília, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade médica até esta quarta-feira, quando a equipe do hospital constatou a morte cerebral.

Vocação

Vítor Procópio Trindade formou-se em Medicina aos 25 anos, em 2020, dois meses antes da pandemia. Por causa da crise sanitária, a turma de Vítor sequer pôde realizar a colação de grau naquele ano.

Apesar disso, o médico teve como ‘batismo de fogo’ – ainda como residente -, o trabalho na linha de frente no atendimento dos primeiros casos de infectados com o covid-19.

Familiares contaram ao Jornalismo do grupo Jovem Pan –  informações que reproduzo aqui -, que o jovem médico sempre sonhou em trabalhar como socorrista.

Ao ponto de recusar oportunidades de trabalho em hospitais e clínicas, para não abrir mão da paixão de salvar vidas, uma rotina entre integrantes de equipes de resgate civis – como os do Samu – e militares – como os do Corpo de Bombeiros.

No dia 28 de abril deste ano, José Maria Trindade, pai de Vitor, excepcionalmente, deixou o programa “Os Pingos Nos Is” mais cedo, por um  motivo mais do que justificavél: participar da colação de grau do filho Vítor, que ocorreu com dois anos de atraso devido à pandemia.

Vítor Procópio Trindade com a mãe, Redu, e o pai, José Maria Trindade (Reprodução/Jovem Pan News)

Desde de a formatura, Vítor trabalhou – como sempre sonhou – como médico socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Brasília, a quem também estendo as minhas condolências, e por extensão, homenageio aos profissionais de Resgate, civis e militares de todo o Brasil.

Vítor Procópio Trindade – ou “Vitinho” como era chamado por familiares e amigos – deixa a mãe, Redu, o pai, José Maria, o irmão, Pedro, e a namorada Ana Carolina.

Manifesto o meu mais profundo pesar a todos os pais que sofrem a dor de terem que se despedir de um filho.
Dor que creio, seja a mais selvagem e lancinante que um coração humano seja capaz de conhecer e suportar. Os meus votos de que o Senhor Jesus, em sua Misericórdia, console a todos.
Compartilho aqui, algumas das mais profundas passagens bíblicas sobre a dor de pais diante de uma perda que jamais será possível descrever com letras humanas.
E que só o Senhor é capaz de aplacar.

2 Samuel 12:18-23
“E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria.
Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta.
Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do Senhor, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.
E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão.
E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança?
Porém, agora que está morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.”
Excertos de Jó 1:18-21
“…Chegou ainda outro mensageiro e disse [para Jó]: ‘Seus filhos e suas filhas estavam […] na casa do irmão mais velho, quando, de repente, um vento muito forte veio do deserto e atingiu os quatro cantos da casa, que desabou. Eles morreram e eu fui o único que escapou para lhe contar!’  Ao ouvir isso, Jó levantou-se […]. Então prostrou-se no chão em adoração, e disse: “Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou. Louvado seja o nome do Senhor.”
“Até eu vir buscá-lo outra vez?”
Poema de Edgar Guest
Tradução por Mario Persona
Emprestarei a vocês este filho querido
por um tempo — nós o ouvimos dizer —,
Para que o amem enquanto tiver vivido,
e o chorem se vier a morrer.
Talvez por dois anos, quatro, ou cinco até,
ou quem sabe, ele chegue a vinte e três,
Seja o que for, meu pedido agora é:
‘Podem cuidar dele até eu vir buscá-lo outra vez?’
O seu jeito de ser lhes trará horas gostosas,
e se sua estadia acaso mui breve for,
Vocês ficarão com lembranças preciosas,
como um consolo para a vossa intensa dor.
Que ele ficará com vocês, não posso prometer,
já que tudo, da terra, precisa voltar,
Porém há lições para ele aí aprender,
que de outro modo não iria assimilar.
Eu procurei por todo o mundo, a buscar,
pessoas aptas que pudessem ensiná-lo,
E das multidões que estão na vida a caminhar,
achei que só vocês podiam ajudá-lo.
Será que poderiam dar a ele todo o amor,
sem pensarem ser trabalho em vão,
E nem se ressentirem contra mim quando eu for
aí buscá-lo, para tê-lo comigo então?
Creio ter ouvido de vocês a oração:
“Amado Senhor, seja feito o Teu querer;
Pelo gozo que este filho possa trazer então,
correremos o risco de tal dor sofrer.
O cobriremos de amor, terno e permanente;
A ele vestiremos de carinho e bondade;
E a Ti ficaremos gratos agora e eternamente,
pois nos fizeste conhecer felicidade.
E se chegar a hora que o quiseres chamar,
antes até do que havíamos planejado,
A dor que virá, procuraremos enfrentar,
e compreender que isto foi o teu cuidado.”