O que se sabe sobre suposto atentado contra Cristina Kirchner

Analistas suspeitam que 'atentado' teria sido uma fraude para minimizar crise enfrentada pela esquerdista

Autor do aparente atentado, filho de pai chileno e mãe argentina,  mora no país vizinho desde 1993 e tem antecedentes criminais

 

Fernando Andrés Sabag Montiel, de 35 anos, foi preso no final da noite de quinta-feira, dia 1⁰ de setembro, em uma aparente tentativa de assassinato contra a vice-presidente da
Argentina, Cristina Kirchner. Montiel, que nasceu no Brasil, mas é naturalizado argentino, é filho de um chileno e de uma argentina. Residente no país vizinho desde 1993, Montiel já havia sido detido em 17 de março de 2021 por porte de armas não convencionais, segundo a agência de notícias oficial argentina Télam.

Fernando Andres Sabag Montiel | Foto: Reprodução Redes Sociais

Circunstância estranha

O incidente ocorre uma semana depois de Kirchner ter o pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público argentino sob a
acusação de comandar um  esquema de corrupção. Em meio a essa crise, no final da noite de quinta-feira – na presença de um cinegrafista – Kirchner era recepcionada por correligionários em frente à residência oficial quando, exatamente diante da câmera, um homem apontou uma arma para a vice-presidente e sem efetuar o disparo, se afastou. Estranhamente, os seguranças da vice-presidente sequer esboçaram a reação esperada diante de uma situação alarmante como um atentado.

Com o homem detido foi encontrada uma pistola 380, que segundo as autoridades argentinas, tinha 5 munições no pente, mas não estaria pronta para o disparo.

Cortina de fumaça?

Analistas independentes suspeitam que o incidente pode não ter passado sido um teatro. Há uma semana, o Ministério Público argentino anunciou o pedido de prisão da vice-presidente argentina, sob a acusação de liderar uma associação criminosa responsável por crimes de  corrupção contra o Estado argentino (direcionamento e superfaturamento de obras públicas). Cristina Kirchner teria cometido os crimes durante o seu mandato como presidente do país, entre 2007 e 2015.

Caso seja condenada, Kirchner será afastada da vice-presidência, terá direitos políticos cassados e pode ser condenada a até 16 anos de prisão. O veredicto deve ser anunciado antes do final do ano.