Rodrigo ‘Botafogo’ Maia e as lágrimas de crocodilo

Silvio Ferreira

Rodrigo Maia (DEM-RJ), em seu último discurso como presidente da Câmara, nesta segunda-feira (1°), chorou. Do alto do gordo – perdoem-me o trocadilho infame – remuneração mensal que o deputado eleito com pouco mais de 70 mil votos auferiu durante os cinco anos em que sentou em cima dos projetos mais importantes para este país, Maia fez mais um de seus hipócritas discursos, dirigido aos oito candidatos que disputam o lugar que ele ocupou, para infelicidade da Nação, por tempo muito maior do que o razoável, para alguém tão medíocre como político, como cidadão e acima de tudo, como ser humano.

Do alto de sua hipocrisia, disse o parlamentar que tornou-se mais famoso por figurar na lista de propinas da Odebrecht com o vulgo “Botafogo”, do que pelo próprio nome: “- A política deve mudar esse país injusto”. E ainda acusou o País de concentrar renda na elite dos servidores públicos.

“- Todos aqui, dos apoiadores de Bolsonaro à esquerda, sabem que não é esse estado que estamos aqui para defender”, disse. Maia colocou como um dos principais desafios “gerar condições para que os brasileiros sejam mais iguais”.

O mesmo Maia que desfrutou de centenas de vôos em aviões da Força Aérea Brasileira – prerrogativa legal, mas absolutamente imoral, agonizou moralmente em seu último dia de mandato, destilando hipocrisia ao criticar privilégios.

O mesmo “Nhonho Chileno” – com o é chamado há tempos por boa parte da população, revoltada com sua atuação antipatriótica e sabotadora das principais propostas do governo Jair Bolsonaro, que deixou caducar um sem-número de Medidas Provisórias (MPs) de autoria do presidente da República.

O mesmo presidente da Cãmara que chegou a arquitetar um golpe que instalasse parlamentarismo no País no qual ele, obviamente, seria o primeiro-ministro – no que poderia facilmente ser classificado como um crime de responsabilidade pelo fato de ter-se reunirdo com um chefe de Estado estrangeiro – o rei Felipe IV, pelo rei Felipe VI no Palácio da Zarzuela, no dia 27 de março de 2020, en que segundo tweet da própria embaixada da Espanha, foi discutido, entre outros temas, o regime parlamentarista. Uma pauta conspiratória e inconstitucional de regime político no país.

Este mesmo Rodrigo Maia, agora, aniquilado politicamente, rejeitado pela própria legenda que integra, defendeu “união”:

“Precisaremos unidos, eu, no plenário, com muito orgulho com cada um de vocês, construirmos o futuro do Brasil. Não para os próximos dois anos, mas para os próximos vinte anos.”

Quisera Deus que o Brasil pudesse se ver livre de pedras de tropeço como Rodrigo Maia, por pelo menos 20 anos. Ninguém seguraria esse País.