Ornitorrincos brasileiros

A história da política de preços da Petrobras tem um paralelo interessante – em escala micro – com o que acontece com Santas Casas de Misericórdia na área da saúde. Estruturam-se durante décadas, com doações da filantropia, mas principalmente – tais quais as estatais – com gordas verbas do dinheiro público (leia-se os impostos que pagamos).

Então, em um belo dia, varrem essa história para debaixo do tapete, passam a dedicar seus melhores recursos para atendimento particular e a querer rezar somente pela cartilha do livre mercado. Muitas vezes, chegam a propor o fim do atendimento pelo SUS (É de “dívida histórica” que a esquerdopatia deveria falar em uma hora dessas?).

Eu defendo o livre-mercado, mas não o livre mercado selvagem, que vai muito além da liberdade. Que adota essa liberdade sem responsabilidade, sem nenhuma coerência histórica, limite ou pudor ético, moral, econômico ou social. Que merece mais o nome de “libertinagem” econômica.

Faço esse paralelo em referência a fala do analista de política e economia, Miguel Daoud, ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, que diante da polêmica sobre a indicação do general Silva e Luna – o bem-sucedido ex-presidente da Itaipu Binacional – pelo presidente Jair Bolsonaro. Daoud fala da importância de se discutir se a política da estatal adequa-se à necessidade da população brasileira.

A Petrobras é, assim como o Banco do Brasil, uma estatal com capital aberto, verdadeiros ornitorrincos brasileiros. Assim, nada que lhe diga respeito, pode ser tão 8 ou tão 80.

Só pra variar, Bolsonaro está certo, mais uma vez.