Pedro Guimarães oficializa saída da presidência da Caixa

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, oficializou no final da tarde desta quarta-feira, dia 29 de junho, a demissão do cargo em uma carta enviada ao presidente Jair Bolsonaro. Guimarães deixa a presidência da Caixa para poder dedicar-se à defesa das acusações de assédio sexual feitas contra ele por funcionárias do banco. As denúncias estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal.

Na carta, Guimarães rebateu as denúncias e alegou inocência:

“Na atuação como presidente da Caixa, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta”.

Guimarães ainda destacou que a Caixa recebeu certificações por ser uma empresa que se dedica a garantir o respeito às mulheres. Ele citou a certificação do banco na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. E também o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work® – recebido pela instituição por uma consultoria internacional especializada em monitorar ambientes de trabalho.

Legado excepcional

A gestão de quase três anos e meio (desde janeiro de 2019), de Pedro Guimarães à frente da Caixa, foi um marco de excelência e competência administrativa.

Sob a gestão de Pedro Guimarães, a Caixa bateu recordes de crescimento e lucratividade, mas – muito mais importante do que isso – foi criado o sistema que viabilizou o maior programa de transferência de renda do mundo – o Auxilio Emergencial e o Auxílio Brasil – que substituíram com larga vantagem, o antigo Bolsa Família. E que ajudaram a minimizar o sofrimento de milhões de famílias brasileiras – principalmente as comandadas por trabalhadores informais – que foram proibidos de trabalhar durante a epidemia do vírus chinês. E isso não se apaga.

Combate à Corrupção

Pedro Guimarães apresentou uma performance excepcional ao sanear as contas da instituição financeira e em resgatar o banco estatal do fundo do poço de corrupção em que a instituição esteve mergulhada durante o período de 16 anos sob dois governos petistas e um emedebista.

O caso mais emblemático foi aquele em que a Polícia Federal apreendeu, em setembro de 2017, R$51 milhões em um apartamento de Salvador, na Bahia, que Geddel Vieira Lima (MDB) – ex-presidente da Caixa indicado por Dilma Rousseff – usava para esconder dinheiro desviado do banco.

Os R$51 milhões desviados da Caixa por Geddel (Divulgação PF)

Nova presidente

Após a entrega da carta ao presidente Bolsonaro, o Diário Oficial da União (DOU) publicou a exoneração, a pedido, de Pedro Guimarães. A mesma edição publicou a nomeação de Daniella Marques Consentino, como a nova presidente da Caixa.

Consentino já havia trabalhado com Paulo Guedes no mercado financeiro, quando passou a fazer parte do governo Bolsonaro, logo no começo da formação da equipe econômica. Inicialmente como assessora especial do ministro Paulo Guedes. Até fevereiro, quando assumiu a Secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia.

Desde então Consentino vem sendo considerada uma importante  interlocutora do governo federal em negociações de interesse do Ministério da Economia junto ao Congresso Nacional. E agora assume à presidência da Caixa, por indicação do ministro Paulo Guedes.

A nova presidente da Caixa, Daniella Marques Consentino (Reprodução / Redes Sociais)