‘Petrobras pode mergulhar país no caos’, diz Bolsonaro após novos aumentos

Presidente Jair Bolsonaro (Isac Nóbrega_PR)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou em postagem nas redes sociais na manhã desta sexta-feira, dia 17 de junho, que “A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos’. A declaração foi feita depois que a petrolífera anunciou um novo aumento dos combustíveis.

A empresa de economia mista anunciou o aumento de 5,18% da gasolina, o que elevará o preço médio de venda do combustível para as distribuidoras, de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro. O último ajuste ocorreu há 99 dias, em 11 de março. O aumento anunciado para o diesel foi de 14,26%, o que elevará o preço médio de venda para as distribuidoras de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro. O último aumento do diesel ocorreu no dia 10 de maio, há 39 dias. O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, não sofreu reajuste.

Atualmente a Petrobras está sob a presidência interina de José Mauro Ferreira Coelho, que ocupava o posto desde o dia 14 de abril, mas foi demitido no dia 23 de maio, depois dos últimos reajustes no preço dos combustíveis. O novo indicado para o cargo, o atual secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Mário Paes de Andrade, ainda não foi empossado no cargo pelo Conselho Diretor da Petrobras.

Depois dos novos aumentos, Bolsonaro anunciou que propôs ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o presidente, diretores e conselhos administrativos e fiscal da Petrobras. Bolsonaro anunciou a proposta durante entrevista ao programa Meio-Dia RN, transmitido ao vivo pelas redes sociais do presidente.

 

“Nós queremos saber se tem algo errado nessa conduta deles. Porque é inconcebível se conceder um reajuste com o combustível lá em cima e com os lucros exorbitantes que a Petrobras está tendo”, revelou o presidente.

Integrantes do governo acreditam que o presidente interino da Petrobras, Ferreira Coelho, teria trabalhado pelo aumento em represália pela demissão. Essa também é a opinião de Arthur Lira, que declarou nas redes sociais:

“O presidente interino da Petrobras tem que renunciar imediatamente”, defendeu o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira

Lira considerou o aumento uma “traição” da Petrobras. Ainda mais depois de a Câmara ter concluído no dia 15, a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022, que limita a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos estados sobre a gasolina e o diesel a 17%.

 

A nova regra entra em vigor assim que for sancionada pelo presidente da República. Bolsonaro anunciou ainda a apresentação de duas propostas de emendas constitucionais que permitam aos estados e distrito federal zerar o ICMS sobre a gasolina e o diesel e limitar a alíquota do ICMS sobre o álcool em 12%.

As medidas têm o objetivo de reduzir a disparada da inflação e dos preços dos combustíveis para o consumidor final, causada pela quebra das cadeias produtivas durante os lockdowns no Brasil e no Exterior, que ainda foi agravada pela guerra entre Rússia – uma das maiores produtoras de petróleo e derivados do mundo – e Ucrânia.

Mato Grosso do Sul

Segundo o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes MS (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto:  “Os reajustes serão aplicados a partir deste sábado, dia 18 de junho e serão da ordem de R$ 0,20 centavos na Gasolina e de R$ 0,70 centavos no Diesel. Como o mercado é livre, fica a critério de cada revendedor atualizar ou não [reajustar] seus preços!” Entre os consumidores de Campo Grande, encontramos as mais variadas reações:

 

Silvério Gomes Marques, 58 anos, agrônomo – “É um absurdo o que a Petrobras faz, um desrespeito com o consumidor e até com o próprio governo não consegue controlar um momento desse abusivo desses.”

Jorge Medeiros, 55 anos, corretor de imóveis – “Quanto valia um boi 2 anos atrás? Noventa reais. A gasolina era três. Agora o boi é trezentos e a gasolina é sete. Quer pôr gasolina no teu carro? Trabalhe para ter dinheiro para pagar. Vai ver se na Argentina tem combustível!”

Joel Oliveira Couto, 23 anos, empresário – “O governo federal baixa impostos, os estados mantém ou até aumentam.” Sobre a Petrobras ele ainda comenta: “Se eu faço um amento abusivo, vem a fiscalização e me multa, mas passam pano pra Petrobras? Vamos correr pra onde?”

Maria Fernanda Arnandi Campelo, 40 anos, turismóloga – “Andar de carro está se tornando inviável. A tendência é cada vez mais nós procurarmos alternativas de transporte. Aplicativos de transporte, transporte público caso ele seja melhor estruturado. E bicicletas, se os governos investirem mais em ciclovias.”

Marcelo Fortes, 60, comerciante – “Falta de consciência da Petrobras. O empresário vai sofrer com o diesel, mas o pobre vai sofrer ainda mais, porque tudo vai onerar.”

Luiz Carlos Silva Jr., 30 anos, autônomo — “O governo tenta ajudar, mas nossos governadores não colaboram. Não querem tirar o ICMS, prejudicando a gente. Na minha opinião o governo tenta ajudar a gente, mas não está sendo ajudado.”

Marco Antônio do Nascimento, 44 anos, motorista – “É um absurdo, né? A gente pagar tão caro por um produto do qual a gente é dependente, que afeta o bolso de todos, não só no combustível, mas no valor dos alimentos.”