Radicais do PT defendem que Lula convoque uma Assembleia Constituinte se for eleito

Ala do partido não esconde intenção de impor Assembleia Constituinte socialista

Ala do PT defende que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inclua no seu plano de governo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A medida, no entanto, enfrenta resistências na cúpula do partido, segundo reportagem do jornal Gazeta do Povo.

Encampada pelo chamado Comitê de Diálogo e Ação Petista (DAP), a discussão sobre uma Assembleia Constituinte tem sido feita em eventos da base do PT nos estados. Chamados de comitês populares, os grupos foram criados pelo PT como forma de atrair novos militantes.

Defensor da medida, o deputado estadual Betão (PT-MG) afirma que somente com uma nova Constituição seria possível revogar a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e reverter as privatizações. Lula chegou a defender publicamente a revogação da reforma trabalhista, mas recuou.

Petistas acreditam que o plano de governo do PT não traria mais do que a proposta de revisão do texto aprovado em 2017 no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) e não a revogação da reforma trabalhista, que entre outras coisas, acabou com a contribuição sindical obrigatória, de um dia trabalhado, que antes da reforma era imposta a todos os brasileiros, sindicalizados ou não, é que no passado, municiou as ações da agenda comunista das centrais sindicais.

“Nós podemos revogar a reforma trabalhista e a reforma da Previdência […] e podemos reverter as privatizações que estão sendo feitas. Nós podemos muito mais com uma Constituinte”, afirmou deputado estadual petista.

No próximo dia 2 de julho, o PT pretende reunir seus militantes em encontro nacional do Comitê de Diálogo e Ação Petista (DAP) em São Paulo. O texto da convocação para o evento afirma: “Nós lutaremos por Lula presidente” […] e “já no novo governo, de uma Assembleia Constituinte”.

“Não digam que não avisamos”

Apesar das intenções de alas mais radicais do partido, a cúpula petista resiste à proposta de uma Assembleia Constituinte no plano de governo petista, temendo que a proposta trave alianças que o ex-presidente tem costurado com outros partidos e lideranças fora do campo da esquerda.

“Essa é uma discussão que pode e deve ser feita na base do PT, mas não uma imposição ao plano de governo de Lula. O ex-presidente já disse várias vezes que precisamos ampliar a nossa candidatura com diferentes aliados. O momento atual não exige que façamos essa discussão. Talvez no futuro”, diz um integrante da coordenação da campanha de Lula que pediu para não ser identificado.

Ele diz que o encontro de julho para defender a Constituinte não é um evento oficial do PT ou da campanha de Lula.