TSE nega remoção de vídeo de Bolsonaro que associa PT ao PCC

O Presidente e o 'descondenado' Foto: Alan Santos/PR / EFE/Mario Guzmán

Ministra do Tribunal Superior Eleitoral concluiu que não se trata de divulgação de notícia falsa

 

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Maria Claudia Bucchianeri, rejeitou neste sábado, dia 20 de agosto, o pedido para que o Presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), seja obrigado a excluir postagens em que cita as ligações da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) com o Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidiário ‘descondenado’ e candidato à Presidência da República, Lula da Silva.

O material divulgado pelo Presidente Jair Bolsonaro reproduz reportagem da TV Record que mostra áudio de um integrante da facção, captado em intercepção telefônica da Polícia Federal, em que um dos líderes do PCC diz:

“ – Com o PT nois (sic) tinha diálogo. O PT tinha com nois (sic) um diálogo cabuloso”.

Na postagem, Bolsonaro escreveu:

” – Líder de facção criminosa (irraaa) reclama de Jair Bolsonaro e revela que com o Partido dos (iirruuuuu) o diálogo com o crime organizado era ‘cabuloso’.”

– Lider da facção criminosa [irraaa] reclama de Jair Bolsonaro e revela que com o Partido dos [irruuu] o diálogo com o crime organizado era “cabuloso”. https://t.co/isM2MzcHYI

“ – É o grupo praticante de atividades ilícitas coordenadas denominado pela décima sexta e terceira letra do alfabeto com saudades do grupo do animal invertebrado cefalópode pertencente ao filo dos moluscos”, completa o presidente na legenda do post.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Batom na roupa de baixo

O PT entrou com pedido no TSE alegando que a postagem do presidente teria criado uma “narrativa falsa” de associação da sigla e de Lula à facção criminosa.

A ministra negou o pedido do PT, alegando que não fez juízo de valor sobre a conversa interceptada, mas tão somente que o áudio de fato foi objeto de reportagens jornalísticas  que nunca foram desmentidas, logo, não é possível afirmar que tratam-se de fatos “claramente inverídicos ou gravemente descontextualizados”.

“ – O fato é o de que a interceptação telefônica trazida na matéria jornalística compartilhada e comentada pelo representado é real, ocorreu no contexto de determinada operação coordenada pela Polícia Federal, de sorte que a gravação respectiva é autêntica, o que não implica, volto a dizer, qualquer análise de mérito sobre a procedência, ou não, daquilo o quanto dito pelas pessoas cujas conversas estavam sendo monitoradas”, afirmou a ministra na decisão.