Venezuela tem 94,5% da população vivendo na pobreza

Vista do bairro Las Palmas, em Caracas, Venezuela, 21 de setembro de 2021 Foto: Miguel Gutiérrez EFE

Quatro em cada cinco venezuelanos – 76,6% – sofrem com a extrema pobreza

Com informações Gazeta do Povo

Pesquisa Nacional de Condições de Vida 2021, publicada pela Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), de Caracas, Capital da Venezuela, nesta quarta-feira, dia 29 de setembro de 2021, aponta que 94,5% da população do país vivem em situação de pobreza, e 76,6% dos venezuelanos – mais de três em cada quatro venezuelanos – sofrem com a extrema pobreza, com renda insuficiente para garantir as suas necessidades alimentares, um aumento em relação aos 67,7% registrados no ano anterior.

“O empobrecimento tem sido dramático”, afirmou o economista venezuelano Pedro Palma, ao comparar os resultados do último levantamento aos dados de nove anos atrás. “Em 2012 (ao fim da bonança petroleira), a pobreza estava em 32,6% e a extrema pobreza em 9,3%.”

Crise econômica, perda de institucionalidade, pandemia de Covid-19 e a escassez crônica de combustíveis foram apontadas como os principais fatores para o empobrecimento dos venezuelanos. Cerca de 20% dos entrevistados afirmaram que não conseguiam abastecer os seus carros, o que prejudica a suas atividades profissionais.

Os números da pesquisa diferem daqueles apresentados pela ditadura de Nicolás Maduro, que em sua prestação de contas ao parlamento afirmou que 17% dos venezuelanos viviam na pobreza em 2020, e apenas 4% em pobreza extrema.

Segundo os pesquisadores da UCAB, a população da Venezuela foi reduzida para 28,7 milhões, depois que mais de 4 milhões de pessoas deixaram o país entre 2015 e 2020, fugindo da catástrofe humanitária que o país vive. Além disso, a taxa de natalidade diminuiu, porque “as potenciais mães migraram”. Estima-se que 340 mil crianças deixaram de nascer nos últimos cinco anos no país.

Houve também perda de três anos de expectativa de vida. “As gerações nascidas no período de crise (2015-2020) irão viver menos anos do que os que nasceram antes (2000-2005). Antes da crise, estimava-se uma expectativa de vida de 83 anos para 2050, agora o número baixou para 76,6”, estimou o levantamento. A taxa de mortalidade infantil no país, que chega a 25,7 para cada 1.000 nascidos vivos, é a mesma de 30 anos atrás.

Apenas metade dos venezuelanos em idade de trabalhar está em atividade, o que corresponde a cerca de 7,6 milhões de pessoas, estima a pesquisa. Para as mulheres, a situação é ainda pior: apenas 32,9% das trabalhadoras estão em atividade, um índice muito inferior à média da América Latina.

As medidas de combate à pandemia da Covid-19, com restrições à circulação, somadas à falta de combustível na nação que já foi um gigante petrolífero, levaram à paralisação de parte do setor produtivo, reforçando a recessão no país.

Diante do colapso das condições de vida, 86,5% dos domicílios recebem ajudas governamentais, enquanto 20% recebem remessas de familiares no estrangeiro.

A pesquisa foi conduzida com a aplicação de questionários distribuídos a 17 mil domicílios em 22 dos 24 estados da Venezuela entre fevereiro e abril de 2021.